Página Inicial Mapa do Site FAQ Diminuir o tamanho da fonte Resturar o tamanho da fonte Aumentar o tamanho da fonte Versão em contraste Versão normal Buscar
Pol > Em Debate > Direitos Humanos >
Imprimir Enviar RSS
11.11.2005
Discurso de Abertura

É com enorme satisfação que realizamos a abertura deste evento e os motivos da satisfação são muitos.

De início quero registrar que tenho satisfação por estar abrindo um evento que é fruto de debates em 16 Conselhos Regionais que acumularam reflexões e propostas para que possamos realizar nosso trabalho.

1. Compartilhar com gestores públicos um espaço de debate sobre a atuação dos psicólogos no sistema prisional é o primeiro motivo. Isto significa que estamos caminhando conjuntamente com o poder público na direção da qualificação de nossa prestação de serviço. Isto significa que estamos aliados àqueles que têm como função a qualificação dos serviços prestados à população. É, portanto para nós, motivo de orgulho e certeza de que caminhamos na direção correta.

2. Este debate e as indicações que resultarão daqui significam fortalecimento de nosso empenho na construção de políticas públicas e na ampliação da presença da Psicologia nestes espaços. Portanto, este evento fortalece nosso trabalho com as políticas públicas.

3. Os resultados deste trabalho deverão compor um dos primeiros arquivos de nosso Centro de Referência Técnica de Psicologia e Políticas Públicas. O Centro foi lançado no dia 27 de agosto último, dia do psicólogo. É um centro de documentação que pretende organizar, sistematizar e produzir referências para os psicólogos atuarem em políticas públicas. Além disso, deverá servir de para adequar as expectativas dos gestores em relação aos nossos serviços e contribuições profissionais. O Centro deverá ainda dar visibilidade a práticas no campo da Psicologia e das políticas públicas. Assim, estaremos aqui construindo o Centro de Referência.

4. Estaremos aqui, enquanto trabalhamos, desenvolvendo um modo de processar questões da profissão e de construir referências para a prática profissional na Psicologia. Uma das mais importantes funções dos Conselhos é, exatamente, construir referências para as práticas profissionais. Mas é também um dos maiores desafios, o modo como fazer isso. Claro que as referências não podem ser resultados das posições de um grupo de pessoas que ocupam as gestões dos Conselhos. As referências devem nascer da diversidade da Psicologia; das diferentes possibilidades de prática que estão aí ofertadas no mercado de trabalho e nas Universidades. Para isso é preciso criar um método democrático, aberto, inclusivo que possa conter essa riqueza. Foi isso que fizemos: abrimos espaços nos 16 CRPs, a partir da orientação de um grupo de trabalho constituído com psicólogas que acumularam competência na área, tornando-se referência. Chamamos a categoria, os psicólogos interessados e aqueles que estão na prática profissional neste campo; os pesquisadores e professores. A partir daí fomos recebendo e organizado as contribuições. E agora, em um espaço nacional, constituído de representantes, estamos finalizando o processo, reunindo e debatendo as contribuições. Valioso o modo de produzir referência!

5. Por fim, estamos a cada momento deste encontro fortalecendo e desenvolvendo o projeto do compromisso social da Psicologia. Muitas vezes as pessoas perguntam: o que vocês querem dizer com esse tal de compromisso social? Eu tenho respondido...Não posso dizer ao certo, pois  o construímos a cada momento, a cada encontro, a cada atividade coletiva. E aqui estamos nós, fazendo mais um pedacinho do compromisso da Psicologia com os interesses e necessidades da sociedade brasileira. Compromisso social é um projeto amplo de colocar a Psicologia a serviço da sociedade, de suas urgências e das necessidades da maioria de sua população. Compromisso social é romper a tradição elitista da Psicologia; é romper com sua história de compromisso com as elites.

Por fim, gostaria de salientar que nossa utopia é por fim aos encarceramentos. Ninguém pode "melhorar" em situação de encarceramento.

Sabemos que saúde psicológica se produz com relações sociais, com laços sociais fortalecidos, com acolhimento, com possibilidade de fortalecimento do sujeito, com empoderamento, com ampliação da capacidade de intervenção transformadora na realidade. Em presídios, manicômios, febens, dificilmente conseguiremos este intento. Mas sabemos também que a transformação social não se faz da noite para o dia e que precisamos estar lá, nestes diversos locais, para participar da sua transformação. Estamos e estaremos trabalhando no sistema prisional; nos comprometemos a fazer de nosso trabalho, nestes espaços, uma contribuição crítica e respeitosa; tecnicamente competente e ética. Sabemos que há uma leitura a ser feita que é de nossa competência: a leitura da dimensão subjetiva da vivência do encarceramento. O sistema precisa de nossa contribuição, compreendendo, esclarecendo e dando visibilidade a esse aspecto, muitas vezes oculto, mas ao mesmo tempo tão presente e forte. Há sujeitos que sofrem, que fazem sofrer, que desafiam e que estão postos em uma situação na qual a sociedade deposita credibilidade e esperança. Nos cabe contribuir para que esta tarefa possa ser cumprida. E repito: estamos e estaremos trabalhando no sistema prisional; nos comprometemos a fazer de nosso trabalho, nestes espaços, uma contribuição crítica e respeitosa; tecnicamente competente e ética, guiada pelos conhecimentos da Psicologia e pelos princípios dos Direitos Humanos.

É nessa direção o esforço que faremos aqui, conjuntamente. Cumprimento a todos e desejo, em nome do XIII Plenário do Conselho federal de Psicologia, um excelente trabalho.

Aproveito para agradecer às colegas que trabalham no Grupo que convocamos e que têm toda a responsabilidade por estarmos aqui, neste momento, abrindo este evento de forma tão confiante e orgulhosa.

Agradeço ao Odair Furtado que, em nome do Plenário acompanhou o Grupo.

Agradeço aos Conselhos Regionais de Psicologia que viabilizaram esse evento enviando seus representantes.

Agradeço a todos estes representantes.

Agradeço ao DEPEN pela parceria, por partilhar conosco o projeto de

fortalecer o lugar social de nossa profissão.

Bom trabalho a todos.

Ana Bock
Presidente do Conselho Federal de Psicologia



Divulgação

Não há conteúdo relacionado a este objeto...
Palavra-chave:

Imprimir Enviar RSS

04.03.11 - Relatório de Acompanhamento de Proposições em Tramitação no Congresso Nacional Relatório de acompanhamento de proposições em tramitação no Congresso Nacional - Conselho Federal de Psicologia - Fevereiro de 2011.
13.02.09 - Relatório de Acompanhamento de Proposições em Tramitação no Congresso Nacional Relatório de Acompanhamento de Proposições em Tramitação no Congresso Nacional - Conselho Federal de Psicologia - Janeiro de 2009.
06.12.10 - Relatório de Acompanhamento de Proposições em Tramitação no Congresso Nacional Relatório de acompanhamento de proposições em tramitação no Congresso Nacional - Conselho Federal de Psicologia - Dezembro de 2010.
17.11.10 - Publicação - FALANDO SÉRIO sobre prisões, prevenção e segurança pública

1
/pol/cms/pol/debates/direitos_humanos/.org.br
11.11.2005
Discurso de Abertura

É com enorme satisfação que realizamos a abertura deste evento e os motivos da satisfação são muitos.

De início quero registrar que tenho satisfação por estar abrindo um evento que é fruto de debates em 16 Conselhos Regionais que acumularam reflexões e propostas para que possamos realizar nosso trabalho.

1. Compartilhar com gestores públicos um espaço de debate sobre a atuação dos psicólogos no sistema prisional é o primeiro motivo. Isto significa que estamos caminhando conjuntamente com o poder público na direção da qualificação de nossa prestação de serviço. Isto significa que estamos aliados àqueles que têm como função a qualificação dos serviços prestados à população. É, portanto para nós, motivo de orgulho e certeza de que caminhamos na direção correta.

2. Este debate e as indicações que resultarão daqui significam fortalecimento de nosso empenho na construção de políticas públicas e na ampliação da presença da Psicologia nestes espaços. Portanto, este evento fortalece nosso trabalho com as políticas públicas.

3. Os resultados deste trabalho deverão compor um dos primeiros arquivos de nosso Centro de Referência Técnica de Psicologia e Políticas Públicas. O Centro foi lançado no dia 27 de agosto último, dia do psicólogo. É um centro de documentação que pretende organizar, sistematizar e produzir referências para os psicólogos atuarem em políticas públicas. Além disso, deverá servir de para adequar as expectativas dos gestores em relação aos nossos serviços e contribuições profissionais. O Centro deverá ainda dar visibilidade a práticas no campo da Psicologia e das políticas públicas. Assim, estaremos aqui construindo o Centro de Referência.

4. Estaremos aqui, enquanto trabalhamos, desenvolvendo um modo de processar questões da profissão e de construir referências para a prática profissional na Psicologia. Uma das mais importantes funções dos Conselhos é, exatamente, construir referências para as práticas profissionais. Mas é também um dos maiores desafios, o modo como fazer isso. Claro que as referências não podem ser resultados das posições de um grupo de pessoas que ocupam as gestões dos Conselhos. As referências devem nascer da diversidade da Psicologia; das diferentes possibilidades de prática que estão aí ofertadas no mercado de trabalho e nas Universidades. Para isso é preciso criar um método democrático, aberto, inclusivo que possa conter essa riqueza. Foi isso que fizemos: abrimos espaços nos 16 CRPs, a partir da orientação de um grupo de trabalho constituído com psicólogas que acumularam competência na área, tornando-se referência. Chamamos a categoria, os psicólogos interessados e aqueles que estão na prática profissional neste campo; os pesquisadores e professores. A partir daí fomos recebendo e organizado as contribuições. E agora, em um espaço nacional, constituído de representantes, estamos finalizando o processo, reunindo e debatendo as contribuições. Valioso o modo de produzir referência!

5. Por fim, estamos a cada momento deste encontro fortalecendo e desenvolvendo o projeto do compromisso social da Psicologia. Muitas vezes as pessoas perguntam: o que vocês querem dizer com esse tal de compromisso social? Eu tenho respondido...Não posso dizer ao certo, pois  o construímos a cada momento, a cada encontro, a cada atividade coletiva. E aqui estamos nós, fazendo mais um pedacinho do compromisso da Psicologia com os interesses e necessidades da sociedade brasileira. Compromisso social é um projeto amplo de colocar a Psicologia a serviço da sociedade, de suas urgências e das necessidades da maioria de sua população. Compromisso social é romper a tradição elitista da Psicologia; é romper com sua história de compromisso com as elites.

Por fim, gostaria de salientar que nossa utopia é por fim aos encarceramentos. Ninguém pode "melhorar" em situação de encarceramento.

Sabemos que saúde psicológica se produz com relações sociais, com laços sociais fortalecidos, com acolhimento, com possibilidade de fortalecimento do sujeito, com empoderamento, com ampliação da capacidade de intervenção transformadora na realidade. Em presídios, manicômios, febens, dificilmente conseguiremos este intento. Mas sabemos também que a transformação social não se faz da noite para o dia e que precisamos estar lá, nestes diversos locais, para participar da sua transformação. Estamos e estaremos trabalhando no sistema prisional; nos comprometemos a fazer de nosso trabalho, nestes espaços, uma contribuição crítica e respeitosa; tecnicamente competente e ética. Sabemos que há uma leitura a ser feita que é de nossa competência: a leitura da dimensão subjetiva da vivência do encarceramento. O sistema precisa de nossa contribuição, compreendendo, esclarecendo e dando visibilidade a esse aspecto, muitas vezes oculto, mas ao mesmo tempo tão presente e forte. Há sujeitos que sofrem, que fazem sofrer, que desafiam e que estão postos em uma situação na qual a sociedade deposita credibilidade e esperança. Nos cabe contribuir para que esta tarefa possa ser cumprida. E repito: estamos e estaremos trabalhando no sistema prisional; nos comprometemos a fazer de nosso trabalho, nestes espaços, uma contribuição crítica e respeitosa; tecnicamente competente e ética, guiada pelos conhecimentos da Psicologia e pelos princípios dos Direitos Humanos.

É nessa direção o esforço que faremos aqui, conjuntamente. Cumprimento a todos e desejo, em nome do XIII Plenário do Conselho federal de Psicologia, um excelente trabalho.

Aproveito para agradecer às colegas que trabalham no Grupo que convocamos e que têm toda a responsabilidade por estarmos aqui, neste momento, abrindo este evento de forma tão confiante e orgulhosa.

Agradeço ao Odair Furtado que, em nome do Plenário acompanhou o Grupo.

Agradeço aos Conselhos Regionais de Psicologia que viabilizaram esse evento enviando seus representantes.

Agradeço a todos estes representantes.

Agradeço ao DEPEN pela parceria, por partilhar conosco o projeto de

fortalecer o lugar social de nossa profissão.

Bom trabalho a todos.

Ana Bock
Presidente do Conselho Federal de Psicologia

Imprimir     Fechar