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24.07.2009
Abertura do Seminário Preparatório para a Confecom elenca expectativas para a Conferência

 

Nesta quinta-feira, a mesa de abertura do Seminário Preparatório para a I Conferência Nacional de Comunicação: Contribuições da Psicologia reuniu Gerson Luiz de Almeida Silva, secretário nacional de Articulação Social; Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); Juliano de Carvalho, vice-presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo e conselheiro do FNDC e Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Verona contextualizou a posição da Psicologia no debate sobre comunicação, com destaque para as conseqüências, para a população, da concentração da propriedade dos meios de comunicação em poucas empresas, que determinam os modos de existência de grande parte das famílias brasileiras.

“Ao analisarmos as estratégias de veiculação da comunicação pela mídia dominante, percebemos os abusos cometidos. A Lei afirma que os veículos têm concessão pública. Esta concessão pública transformou-se em moeda de troca, de poder que influencia diretamente a sociedade, estimulando e produzindo um grande e homogêneo mercado consumidor no qual os anunciantes, que patrocinam a comunicação, ditam as regras do que deve ser consumido, desejado, amado ou odiado”, afirmou, para depois apresentar os temas propostos pelo CFP como essenciais para a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

As propostas têm como princípio a necessidade de controle social dos meios de comunicação e buscam a regulação de temas como publicidade para crianças, de bebidas alcoólicas, utilização de imagens das pessoas no apelo ao consumo e a mídia e as relações com o trânsito.

Os dois membros do FNDC, Celso Schröder e Juliano de Carvalho, convergiram na avaliação sobre a necessidade de que a I Conferência seja espaço público para que governo, empresários e a sociedade civil organizada dialoguem sobre a regulação das comunicações no Brasil e construam políticas públicas para o setor. Destacaram a importância da presença do setor empresarial na Confecom.

“O diagnostico das comunicações no Brasil está feito: temos uma comunicação absurdamente concentrada e antidemocrática. O que precisamos agora é que o ambiente da Conferencia possibilite que venham para o debate publico setores que historicamente recusaram-se a fazê-lo.”, disse Schroeder, que destacou a disposição do FNDC para garantir a presença de todos os setores na Confecom.

O secretário nacional de Articulação Social, Gerson Luiz de Almeida Silva, apontou a dificuldade de construir, com todos os setores envolvidos, o formato, as regras e o regimento desta Conferencia que, distinta da grande maioria das 62 já realizadas pelo governo Lula desde 2003, tem como característica marcante a presença do empresariado.

“Temos o desafio de conseguir que todos os setores ligados ao campo dialoguem. Não temos treino de mesa em comum, além haver divergências”, afirmou, ressaltando que o governo Federal está comprometido para a construção, pela primeira vez, de ambiente amistoso de reconhecimento mútuo entre os setores.“Não será um ambiente sem conflitos, mas para fazer uma melodia é preciso de mais do que um tom. A melodia do processo de construção de uma Conferência democrática e de regras capazes de incluir todos os setores tem que ser feita em uma arena pública, não em congressos setoriais. Nosso objetivo é construir ambiente de discussão e enfrentar o desafio de que este encontro inusitado de setores por vezes muito hostis possa levar a resultados inusitados.A democracia brasileira é vigorosa”, disse.

A convocação da Confecom, segundo Gerson, ocorreu em momento no qual, além da demanda dos movimentos sociais, houve o reconhecimento de necessidade da Conferencia por parte de vários setores do mundo empresarial, interessados na regulamentação das comunicações, atualmente incapaz de dar conta das mudanças tecnológicas. “Há interesses muito objetivos neste momento sobre a necessidade de regulação das comunicações no Brasil“, disse.

A conselheira do CFP Roseli Goffman ressaltou a importância de o governo federal haver mantido a reunião realizada m 22 de julho, apesar da ausência dos empresários. “Houve respeito do governo em manter a reunião. Há que se respeitar a diferença, mas a construção do mundo possível é um exercício de acordo, de aliança”, avaliou.

Em relação às expectativas para a Conferência, Jiuliano de Carvalho destacou que ela já será grande avanço se conseguir marcar a entrada definitiva do tema da comunicação na agenda da sociedade brasileira.

O jornalista elencou outros desafios que, prevê, serão enfrentados ao longo da Conferência: devido ao forte impacto que a tecnologia já tem na maneira como as pessoas relacionam-se, consomem, produzem conhecimento, a Conferência terá que tratar de temas que vão influenciar a vida das próximas gerações. E terá também a necessidade de construir políticas a partir da realidade das comunicações já existentes no Brasil. Outro ponto é o da perspectiva da comunicação atuar como dispositivo da cultura e não apenas como atividade econômica.
 

/pol/cms/pol/noticias/.org.br
24.07.2009 por 
Abertura do Seminário Preparatório para a Confecom elenca expectativas para a Conferência

 

Nesta quinta-feira, a mesa de abertura do Seminário Preparatório para a I Conferência Nacional de Comunicação: Contribuições da Psicologia reuniu Gerson Luiz de Almeida Silva, secretário nacional de Articulação Social; Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); Juliano de Carvalho, vice-presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo e conselheiro do FNDC e Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Verona contextualizou a posição da Psicologia no debate sobre comunicação, com destaque para as conseqüências, para a população, da concentração da propriedade dos meios de comunicação em poucas empresas, que determinam os modos de existência de grande parte das famílias brasileiras.

“Ao analisarmos as estratégias de veiculação da comunicação pela mídia dominante, percebemos os abusos cometidos. A Lei afirma que os veículos têm concessão pública. Esta concessão pública transformou-se em moeda de troca, de poder que influencia diretamente a sociedade, estimulando e produzindo um grande e homogêneo mercado consumidor no qual os anunciantes, que patrocinam a comunicação, ditam as regras do que deve ser consumido, desejado, amado ou odiado”, afirmou, para depois apresentar os temas propostos pelo CFP como essenciais para a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

As propostas têm como princípio a necessidade de controle social dos meios de comunicação e buscam a regulação de temas como publicidade para crianças, de bebidas alcoólicas, utilização de imagens das pessoas no apelo ao consumo e a mídia e as relações com o trânsito.

Os dois membros do FNDC, Celso Schröder e Juliano de Carvalho, convergiram na avaliação sobre a necessidade de que a I Conferência seja espaço público para que governo, empresários e a sociedade civil organizada dialoguem sobre a regulação das comunicações no Brasil e construam políticas públicas para o setor. Destacaram a importância da presença do setor empresarial na Confecom.

“O diagnostico das comunicações no Brasil está feito: temos uma comunicação absurdamente concentrada e antidemocrática. O que precisamos agora é que o ambiente da Conferencia possibilite que venham para o debate publico setores que historicamente recusaram-se a fazê-lo.”, disse Schroeder, que destacou a disposição do FNDC para garantir a presença de todos os setores na Confecom.

O secretário nacional de Articulação Social, Gerson Luiz de Almeida Silva, apontou a dificuldade de construir, com todos os setores envolvidos, o formato, as regras e o regimento desta Conferencia que, distinta da grande maioria das 62 já realizadas pelo governo Lula desde 2003, tem como característica marcante a presença do empresariado.

“Temos o desafio de conseguir que todos os setores ligados ao campo dialoguem. Não temos treino de mesa em comum, além haver divergências”, afirmou, ressaltando que o governo Federal está comprometido para a construção, pela primeira vez, de ambiente amistoso de reconhecimento mútuo entre os setores.“Não será um ambiente sem conflitos, mas para fazer uma melodia é preciso de mais do que um tom. A melodia do processo de construção de uma Conferência democrática e de regras capazes de incluir todos os setores tem que ser feita em uma arena pública, não em congressos setoriais. Nosso objetivo é construir ambiente de discussão e enfrentar o desafio de que este encontro inusitado de setores por vezes muito hostis possa levar a resultados inusitados.A democracia brasileira é vigorosa”, disse.

A convocação da Confecom, segundo Gerson, ocorreu em momento no qual, além da demanda dos movimentos sociais, houve o reconhecimento de necessidade da Conferencia por parte de vários setores do mundo empresarial, interessados na regulamentação das comunicações, atualmente incapaz de dar conta das mudanças tecnológicas. “Há interesses muito objetivos neste momento sobre a necessidade de regulação das comunicações no Brasil“, disse.

A conselheira do CFP Roseli Goffman ressaltou a importância de o governo federal haver mantido a reunião realizada m 22 de julho, apesar da ausência dos empresários. “Houve respeito do governo em manter a reunião. Há que se respeitar a diferença, mas a construção do mundo possível é um exercício de acordo, de aliança”, avaliou.

Em relação às expectativas para a Conferência, Jiuliano de Carvalho destacou que ela já será grande avanço se conseguir marcar a entrada definitiva do tema da comunicação na agenda da sociedade brasileira.

O jornalista elencou outros desafios que, prevê, serão enfrentados ao longo da Conferência: devido ao forte impacto que a tecnologia já tem na maneira como as pessoas relacionam-se, consomem, produzem conhecimento, a Conferência terá que tratar de temas que vão influenciar a vida das próximas gerações. E terá também a necessidade de construir políticas a partir da realidade das comunicações já existentes no Brasil. Outro ponto é o da perspectiva da comunicação atuar como dispositivo da cultura e não apenas como atividade econômica.
 


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